Carreira empreendedora

Quando fui desligada da empresa em abril de 2014, pensei: “Bem, meu objetivo era sair em 2016 para atuar de forma independente, mas a empresa antecipou meus planos”. Assim, virei Consultora de Carreira e de Desenvolvimento Organizacional como Pessoa Jurídica naquele mesmo ano. Essa pode ser uma primeira reflexão: nos tornamos empreendedoras por desejo ou por necessidade?
A demissão e o desemprego prolongado podem levar muitas mulheres a tomarem a decisão de empreender, outras, como no meu caso em que já existia a vontade, aproveitam a oportunidade e vão em busca de seu sonho. E existem aquelas que sempre tiveram a certeza que queriam ser empreendedoras.
Segunda reflexão: e essa decisão vem de onde? A pesquisa da Cia de Talentos Carreira dos Sonhos 2016, perguntou: – Se o dinheiro não fosse uma preocupação, o que você faria? Das pessoas que ocupam a posição de alta e média liderança, 40% e 38% responderam respectivamente, que abririam seu próprio negócio.
A pesquisa Perfil do Jovem Empreendedor, realizada em 2014 pelo Conaje, aponta que 40% de mulheres na faixa de idade entre 18 e 39 anos desejam ter seu próprio negócio, mas por não terem dinheiro ou não se sentirem preparadas ainda não realizaram o que querem.
Oportunidade, independência, influência familiar, horário flexível, necessidade de uma fonte de renda ou sempre quis ser empreendedor, são alguns dos motivos enumerados pela decisão de empreender. O interessante é que o desejo de ser empreendedor e a identificação de uma oportunidade, na Pesquisa Global de Empreendedorismo de 2013, apontava que o brasileiro empreendia mais por “oportunidade” do que por “necessidade”, porém em 2015 o mesmo estudo aponta que mais pessoas empreendem por terem dificuldade de conseguir renda.
Creio que esta mudança possa ser um risco, visto que não houve nenhuma vivência com o empreendedorismo. No livro Identidade de Carreira, a autora Herminia Ibarra, fala em fazer experimentos. Quando experimentamos uma atividade, diferentemente daquela que estamos habituadas, avaliamos o quanto nos adaptamos ao novo, o quanto as nossas características são aderentes.
No meu caso, eu já tinha sido Consultora em duas oportunidades, e em cada uma delas percebia que poderia dar certo, mas também identificava minhas limitações. Em nenhuma delas quis arriscar, avaliava que ainda não era o momento, precisava aprender mais no ambiente corporativo e também por ordem prática, já que meu marido era e é autônomo, então seríamos dois a não ter a estrutura que um emprego CLT oferece.
Chegamos a nossa terceira reflexão: que características são importantes para quem quer ser empreendedora? Existe um conceito, chamado Âncora de Carreira, que surgiu de um estudo iniciado nos anos 60 pelo acadêmico Edgar Schein, PH.D em Psicologia Social por Harvard e ex-professor do MIT. As âncoras de carreira podem ser consideradas os pilares que norteiam as decisões de carreira dos profissionais. É o conjunto de talentos, valores e motivos que fazem uma pessoa seguir e se manter em uma carreira.
Foram identificadas 8 Âncoras, sendo uma delas a Criatividade Empreendedora. Esta âncora descreve o que a Pesquisa Global de Empreendedorismo cita como o desejo de ser empreendedor: “… necessidade de criar seus próprios negócios, serviços ou produtos e que possam ser identificados com o próprio esforço do empreendedor”.
Entendo que nem todos empreendedores possuam esta âncora, até porque outras âncoras contribuem para o perfil de um empreendedor, como por exemplo a de autonomia/independência.
As organizações que estimulam ou apoiam o empreendedorismo citam características de um empreendedor: persistência, correr riscos e iniciativa. A Ana Fontes, fundadora da RME, também cita resiliência e execução. O que podemos avaliar como ponto central para esta última reflexão é a importância do autoconhecimento, saber quais são os pontos fortes e reconhecer os pontos fracos, e de que forma alavancam ou dificultam a Carreira Empreendedora.
No meu caso, percebi que o que a Herminia fala como primeiro agir, depois pensar, “quem somos e o que fazemos está fortemente conectado” faz todo sentido. Caso contrário não estaria aqui compartilhando minha história para poder apoiar outras mulheres a se verem em suas carreiras.
*Marlene Costa é Especialista em Carreira, Pós -Graduada em Administração de Recursos Humanos e Graduada em Psicologia.
Fonte: http://redemulherempreendedora.com.br/2017/03/03/carreira-empreendedora/
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